uniu Ál­varo Vaz to­dos os com­pan­heiros e, avali­ada a na­tureza da de­scober­ta, con­cer­taram al­gu­mas de­cisões com vis­tas à ocu­pação da il­ha, tão pron­to ela ser­enasse e se mostrasse aber­ta ao homem. A pouco mais de uma mil­ha de dis­tân­cia vi­am-​na a crescer num baila­do de labaredas en­volto nu­ma chu­va de cin­zas. Sacu­dia-​se em aba­los fumegantes, lib­er­tan­do um cheiro sul­foroso que chega­va até ao Pon­ta de Sagres e resse­qui a o ar. Er­am por is­so obri­ga­dos a aprox­imações e a desvios con­forme o ven­to, na sua ron­da con­stante àquele ter­ritório em tor­men­ta. Ao cor­rer das mar­gens o mar re­volvia-​se em cachões ter­rosos mas, para es­pan­to de to­dos, re­toma­va lo­go adi­ante uma tran­quil­idade ce­les­tial. 

  Tem­po sem ven­to, diz o livro de bor­do naque­les dias, pro­fun­di­dade en­tre 400 e 500 braças, o que fazia su­por que se en­con­travam so­bre uma el­evação sub­mer­sa. Con­tin­uavam a torn­ear. Con­tin­uavam pre­sos àquela ín­su­la que em boa ho­ra lh­es tin­has apare­ci­do.

  De­pois de voltas e de­mor­as re­solver­am col­her o pano e nave­gar a mo­tor. Pairavam a cur­ta dis­tân­cia da il­ha, de guar­da a ela. Vi­giavam-​na a pon­to mor­to ou quase. Pairavam. Du­rante meses e meses o que ali os tin­ha não pas­saria de um roche­do vul­câni­co, es­voaça­do por mil­hares de aves mar­in­has que um dia a tivessem de­scober­to. Se­ria uma pausa ári­da no oceano, já o era, um de­ser­to onde os fu­mos bran­cos que ago­ra se vi­am bro­tar dari­am lu­gar mais tarde a re­gatos de água a fer­ver com plan­tas a verde­jar no fun­do. Por en­quan­to re­sum­ia-​se a uma platafor­ma em bru­to, as­sim a ol­havam e a dis­cu­ti­am os vi­ajantes do iate do­bra­dos so­bre o ma­pa de bor­do. Platafor­ma atlân­ti­ca, a des­ig­nação cor­rec­ta se­ria es­sa e por aí já Ál­varo Vaz e o ar­mador de Viana jus­ti­fi­cavam a im­portân­cia que um tão minús­cu­lo grão do Globo pode­ria vir a atin­gir. Na econo­mia, antes de mais na­da. Na es­traté­gia mil­itar, provavel­mente, co­mo es­cala op­era­cional. No tur­is­mo co­mo fonte de águas sul­furosas e o mais que Deus acon­te­cesse.

  Nes­ta con­formi­dade já Ál­varo Vaz se tin­ha agar­ra­do ao ra­diotele­fone para co­mu­nicar com o seu ad­vo­ga­do em Lis­boa pon­do-​o ao cor­rente da de­scober­ta e dan­do-​lhe in­strução para ac­tu­ar so­bre o reg­is­to de posse do no­vo ter­ritório nos ter­mos do Di­re­ito In­ter­na­cional. En­quan­to is­so Na­ia, o frade e o ar­mador revezavam-​se na es­cu­ta dos rá­dios de on­da marí­ti­ma que emi­ti­am vozes do out­ro mun­do a trem­ula­rem no ven­to e on­du­lação. 

  Vozes es­sas que não tar­daram muito a dar notí­cia do aparec­imen­to da il­ha, se­ja di­to. E di­ga-​se tam­bém que daí não veio sur­pre­sa ao Pon­ta de Sagres, pos­to que no se­gun­do dia da de­scober­ta já dois aviões da força costeira amer­icana tin­ham si­do vis­tos a so­brevoar a erupção e a seguir a eles out­ros forasteiros, en­tre os quais um mon­stru­oso he­licóptero a fil­mar mes­mo em cima das labaredas da la­va e a lam­pe­jar cifras ob­scuras, um navio do In­sti­tu­to Ge­ofísi­co So­viéti­co, um car­gueiro com ban­deira panami­ana, um sub­mari­no, uma corve­ta TI23, en­fim um des­fi­lar de pere­gri­nos à babugem que, na maio­ria dos ca­sos, er­am de pouco de­mor­ar. Chegavam, vi­am e par­ti­am, levan­do muito para com eles as mais ardilosas con­jec­turas. Ao ver Ál­varo Vaz a co­mu­nicar com Lis­boa, Gonça­lo de Singev­er­ga cos­tu­ma­va diz­er que não se ad­mi­ra­va na­da se ali per­to já an­dasse o pi­ra­ta-​almi­rante Fran­cis­co Drake de caveira no mas­tro re­al e bom­bar­das a as­so­prar.

  Foi a al­tura de o fax d