e bor­do começar a re­ce­ber re­latos das es­tações me­te­orológ­icas so­bre a lo­cal­iza­ção do fenó­meno. Crise sís­mi­ca e ac­tivi­dade erup­ti­va, noti­ci­avam de Nas­sau, de Mi­ami ou de CTRK Key West, e Gonça­lo apon­ta­va no diário, volta­do para a il­ha em labaredas que lhe es­ta­va a pouco mais de uma mil­ha da cab­ine.

  Em de­ter­mi­na­da da­ta es­creveu: "Es­ta man­hã um acal­mar grad­ual das con­vul­sões. Ago­ra já quase não se sen­tem aque­les movi­men­tos sub­mari­nos a que o In­ácio chama­va o ar­regan­har dos dentes da fera". 

  "Tro­voa­da a NNE. Fu­maro­las es­pal­hadas pe­lo mar a to­da a vol­ta", lê-​se mais adi­ante (mas aqui na le­tra de Ál­varo Vaz). " Mu­dança do ven­to de NE para ESW. Ru­mo 1-0-5. 4 nós. " 

  E noutro dia: "Bal­anço co­mu­ni­ca­do pela es­tação de Mi­ami às 05.30: mais de 300 mil­hões de toneladas de pe­dra e de la­va até ago­ra. Quan­tos mil­hões fal­tarão para dar a il­ha por con­cluí­da?" 

  Noutro dia ain­da: "Es­ta­mos sus­pen­sos do sossego que con­tin­ua a reinar. " 

  E noutro: "Ago­ra no topo do céu apare­ceu um cogume­lo de fu­mo bran­co. De Lis­boa não nos chega na­da de con­cre­to so­bre o di­re­ito à posse da il­ha quan­do pu­der­mos de­sem­bar­car nela." 

  Um bo­le­tim, uma con­ta­cor­rente dum ter­ritório em con­strução. De tem­pos a tem­pos o frade acres­cen­ta­va-​lhe notí­cias apan­hadas à maré so­bre um out­ro mun­do a no­vas di­men­sões, on­tem a NASA nos cam­in­hos es­pa­ci­ais, ho­je a Min­ing Cor­po­ra­tion nas ro­tas dos dia­mantes das no­vas Áfric­as, da­dos breves des­ti­na­dos a lem­brar ao Pon­ta de Sagres o seu lu­gar con­tem­porâ­neo, ape­sar da solidão em que se en­con­tra­va muito al­gures no Atlân­ti­co. 

  De re­pente, em sub­lin­hado com uma fo­to a ilus­trar: "Co­mo iden­ti­fi­cação ofi­cial e co­mo declaração de pre­sença, de­cidi­mos hastear a ban­deira por­tugue­sa no pau da popa. Filmá­mo-​la e fo­tografá­mo-​la com a il­ha bem visív­el em fun­do."

  To­davia, por al­gu­ma razão que não im­por­ta aqui con­sid­er­ar o Pon­ta de Sagres não deve ter os­ten­ta­do por muito tem­po o pavil­hão das cin­co quinas e dis­so fazem pro­va as úl­ti­mas im­agens do doc­umen­tário de frei Gonça­lo que mostram a il­ha em for­mação acaba­da, vista da popa do navio sem qual­quer sinal de ban­deira. Ness­es planos fi­nais pas­sa sem­pre uma som­bra fugidia que não pode deixar de nos in­tri­gar porque se repete sem se definir por trás du­ma corti­na de cin­zas. É um vul­to, a man­cha de al­guém que es­taria apa­ga­do na pais­agem e que, ao rev­elar da pelícu­la, emergiu na câ­mara es­cu­ra, a trem­ular, a trem­ular, e pas­sa à nos­sa frente co­mo uma in­ter­ro­gação. É Na­ia Valdez, não há que du­vi­dar. Na­ia Gar­cia Valdez a avançar para a il­ha co­mo se fos­se de­sem­bar­car. 

  ONDE SE FAZ MENÇÃO DE UM NEP­TUNO QUE AR­RI­BOU

  À NO­VA IL­HA E DOS PRIMEIROS CRISTÃOS QUE NELA

  SE ES­TA­BELE­CE­RAM

  Ago­ra es­ta­va Na­ia as­sente em rocha es­cu­ra e a to­da a vol­ta era mar. Tin­ha a dar-​lhe som­bra um cenário de ár­vores pin­tadas num pano de vela por não haver plan­tas nem quais­quer out­ros viventes naque­la il­ha, e jun­to a uma pe­dra ain­da fumegante ol­ha­va-​a a Virgem de Nep­tuno em moldu­ra de madeira ín­dia. 

  Per­to an­da­va um homem de bar­ba cur­ta em peito nu e boné de pra­ia que era na­da mais na­da menos que frei Gonça­lo de Singev­er­ga a in­ter­rog­ar os hor­izontes. Es­per­ava ver re­gres­sar o Pon­ta de Sagres à frente da prometi­da fro­ta de navios que, em cumpri­men­to do que ficara re­solvi­do em as­sem­bleia de nave­gantes, viria car­rega­da de ter­ra para co­brir a rocha crua e