e de antes repe­ti­ram em façan­has dig­nas de con­tar -il­has de amor pro­te­gi­das de Afrodite, piton­isas vesti­das de nerei­das, Nereus ir­mana­dos à in­vo­cação épi­ca da bo­nança, de ven­tos alí­sios. Man­an­ciais de azul que cor­rem para­dos, co­mo de re­pente o pen­sa­men­to, seg­re­dos tor­na­dos in­dómi­tos às nes­gas dos mostren­gos que habitam viz­in­ho às cidades dos peix­es. Dei­ta-​se a al­ma hor­izon­tal na coro­grafia on­dea­da de es­paços as­simétri­cos, pas­seia no seu des­can­so am­bíguo, e aten­ta, es­cu­ta os con­trapon­tos de guel­ras muito bem limpas.

  Car­gueiro do tem­po tro­quei a vela nívea pe­lo fu­mo ar­rebata­do de ne­gro, co­mo deixan­do a Éo­lo o lu­to in­vol­un­tário de um pro­gres­so marcheta­do à min­ha in­difer­ença. Trans­porto as mes­mas es­pe­cia­rias da ilusão, ou­vin­do o troar dos sen­ti­men­tos nas suas cav­er­nas efémeras de tem­pes­tade. Re­speito a sua forte nor­ta­da que me fin­ca mais na an­cor­agem do meu ser e veste de apru­mo o cipreste de flo­res­ta que cresce de­pois de ter da­do a col­una limpa do mas­tro que me norteia. Sen­hor sem fron­teiras, movi­do pela com­bustão ina­ta de quer­er lib­er­tar-​me civi­ca­mente, é nos deuses anti­gos que en­con­tro a fiel com­pan­hia à desme­di­da am­bição do cós­mi­co que me al­imen­ta.

  Cidades do des­ti­no, il­has de­ser­tas de ár­vores e bi­chos, povoadas de deuses, feras mal do­mes­ti­cadas à flor da água -que se re­voltam quan­do os tem­pos teimam em fur­tar-​lh­es a sua posição feu­dal de re­ban­ho tres­mal­ha­do pela ausên­cia de pas­tor. Il­has cu­jo di­cionário a fau­na lim­itou à cabra e ao bur­ro, ao bran­co da cal e ao azul do mar, ao cas­tan­ho-​hipopó­ta­mo e ao es­carpa­do cav­er­noso. Cabeças er­guidas de cor­pos pre­sos à cri­ação do mun­do sen­tem ape­nas as hecatombes das suas dores in­ter­nas, fi­can­do teste­munhas sem se im­portarem dos que es­cara­fun­cham as gre­tas por onde pas­sam os pi­ol­hos, as formi­gas e as cigar­ras que ca­da um en­cros­ta à sua maneira.

  Nave­gador solitário, sem con­dec­orações gan­has em repar­tições públi­cas, sin­to-​me almi­rante do frágil es­cale r que vai à boli­na na cal­maria imac­ula­da de um dia em que o mar re­solveu fechar para des­can­so. Apor­to à il­ha de Siros para o meu abastec­imen­to e na panorâmi­ca do por­to o pul­sar re­cua­do das amar­ras faz-​me atracagem bor­de­ja­da a juzante. To­dos no cais mi­ram a chega­da deste trib­utário dos mares e eu ol­ho o cimo que em cone se es­pir­itu­al­iza gate­jan­do na mon­tan­ha. Meto vi­tu­al­has, água doce, bo­lacha se­ca -es­ti­co as per­nas ao lon­go da cap­ital do reino de Eu­meu, o céle­bre porqueiro de Uliss­es. Pas­seio sem me verem -risco no hor­izonte a ro­ta famosa de Tróia e com­pro do­ces es­pe­cial­iza­dos na Gré­cia pela fama de Siros. São hós­tias para deuses, de taman­ho semi­ton­al, bran­cas co­mo as casas amare­las, amare­las co­mo as mesquitas e do­ces co­mo só os do­ces o são na Gré­cia. Não en­joo em ter­ra, es­ta­va com me­do que ao pis­ar Siros a min­ha al­ma vac­ilasse de en­con­tro às cadeiras e mesas que em ca­da por­to es­per­am o vis­itante ao es­pec­tácu­lo da chega­da. Cadeiras e mesas sem­pre vazias, nu­ma hos­pi­tal­idade servi­da na ban­de­ja nat­ural de um tipo de an­fitrião, bem ca­su­al, e de que o grego é dono ab­so­lu­to.

  De Siros navego ru­mo a Tinos, san­tuário de Nos­sa Sen­ho­ra dos Gre­gos, que à luz das pe­que­nas lâm­padas parece uma cas­ca­ta ale­gran­do san­tos pop­ulares de Jun­ho. O mar tor­na-​se imen­so de noc­turno, cheio de recôn­di­tos, al­ber­gue de histórias em bib­liote­cas sub­mer­sas nas cidades dos home­ns -os meus ol­hos mi­ram Ti