Muito resumidamente o processo de tratamento de superfícies corresponde à deposição de uma camada de
zinco-níquel sobre a superfície metálica, seguida da passivação crómica. A deposição do zinco-níquel é
realizada através da passagem das peças por um banho de zinco-níquel. Ao fazer passar pelas peças uma
corrente eléctrica constante negativa, as peças vão atrair os iões de zinco e níquel (que são cargas positivas),
que se depositam uniformemente na superfície de cada peça. Após esta fase, se se retirar a corrente eléctrica
que passa nas peças, os iões zinco e níquel libertam-se rapidamente. Para evitar este processo, realiza-se
de seguida a passivação crómica que utiliza o crómio hexavalente que oxida formando óxidos de crómio
na superfície metálica, constituindo uma camada impermeável responsável pela resistência à corrosão. A utilização
do crómio hexavalente que é um composto muito solúvel e cancerígeno é um dos principais problemas
ambientais deste tipo de tratamento.
(www.ccdrc.pt/ambiente/Avaliacao%20Amb/electrofer-4-rnt-final.pdf)
Nessa empresa faziam o tratamento de superfície de peças para travões para fornecerem uma fábrica situada em
Palmela. Há uns meses atrás, essa fábrica, para poder aceitar um contrato que irá duplicar as suas instalações
(e trabalhadores), viu-se obrigada a ter uma fábrica de tratamento de superfície mais próxima, e que não
utilizasse crómio VI, um elemento químico cancerígeno. Uma vez que em Portugal não existe nenhuma fábrica
a fazer tratamento de superfície sem crómio VI, propuseram à [empresa] (...) criar na proximidade uma
fábrica de tratamento de superfície.
(http://www.iambiente.pt/IPAMB_DPP/docs/RNT1013.pdf)
A toxicidade de todos os elementos, e em particular, dos metais pesados está associada à sua concentração e à
forma química em que estes se encontram. Assim, enquanto o cobalto, nomeadamente, na forma +2, e o Cr (III),
apresentam uma toxicidade moderada, sendo mesmo, em baixas quantidades, essenciais à vida, já o crómio (VI)
é uma espécie muito tóxica com consequências a longo prazo (carcinogénicas).
(http://www.proformar.org/revista/edicao_13/biomateriais.pdf)
Vários estudos epidemiológicos revelaram que a exposição ambiental e ocupacional a compostos de Cr(VI),
está associada a um aumento na incidência de cancro nas vias respiratórias. Muito embora os mecanismos de
toxicidade celular induzida por Cr(VI) não sejam conhecidos, pensa-se ser devida ao facto de os oxianiões
de Cr(VI) penetrarem facilmente nas células e serem activados metabolicamente por redução, originando
espécies reactivas, tais como Cr(V), Cr(IV), Cr(III), espécies reactivas de oxigénio (ROS) e outros radicais
livres. Sabe-se que o Cr(VI) afecta a expressão de vários genes, activa diversas proteínas da família das
cinases induzidas por mitogenes (MAPKs) e alguns factores de transcrição (FT) (...), e induz a fosforilação
da pp125 Fak, uma cinase de adesão focal pertencente à família das cinases tirosínicas não receptoras (NTKs).
Estudos recentes revelaram ainda que a exposição a Cr(VI) induz, numa linha celular pulmonar humana
(A549), paragem na fase G2 do ciclo celular.
(http://www.fct.mctes.pt/projectos/pub/2002/index.asp?dados=true&ficha=true&pID=48631&areaID=14)
No que se refere aos requisitos técnicos, constantes do anexo II, para armazenamento e tratamento de REEE
[Resíduos de Equipamentos Eléctricos e Electrónicos], surgem algumas dúvidas quanto às razões que terão levado
a não incluir algumas substâncias perigosas na lista das substâncias, preparações e componentes que deverão ser
obrigatoriamente retirados dos REEE recolhidos. Com efeito, quer o Cr6+, quer o Cd, quer o Pb estão
incluídos na lista de substâncias a serem reduzidas na sequência da aprovação da directiva sobre restrição da
utilização de substâncias perigosas pelo que a sua inclusão na lista do anexo II, seria um contributo para
uma melhor gestão dos resíduos contaminados com estes materiais, diminuindo a sua dispersão no ambiente e nos
produtos para consumo.
(http://www.netresiduos.com/cir/comunicados/projectoleiREEE.htm)
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