António Moniz, M. Celeste Moniz, 
Olegário Paz,

Dicionário Breve de «Os Lusíadas»
 Editorial Presença
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«a pesar de
   Locução que ocorre em V, 15:7 e significa contra a vontade ou os desejos de. Surge com a forma actual, apesar de, em II, 24:2 («apesar dos que leva») e em IX, 12:3.

a segundo

   Locução com o significado de segundo, conforme, em harmonia com. Ocorre em VI, 2:2 («A segundo a polícia Melindana»), VI, 33:6 e VII, 47:4.
a tento
   Em I, 95:7; VIII, 74:8 e X, 86:3. V. tento.

abaixo

   Em I, 23:2. 23:5; V, 61:7. 84:3. V. baixo.

abalizada

   Sinalizada com balizas que indicam o caminho a seguir na barra de Mombaça. Intervindo, Vénus e as Nereides evitam que as naus, para fugirem à traição, sigam tal percurso (II, 18:4).
Abássia
   Abissínia ou Etiópia. Ao cantar as proezas militares do governador da Índia, Lopo Soares de Albergaria, sucessor de Afonso de Albuquerque (1515), a ninfa Tétis refere (de forma metonímica) o espanto que tais proezas provocaram nas «roxas ribeiras Arábicas» e nas «Praias da Abássia» (X, 50:7).

Abassis
: da Abássia. Estes povos, referenciados antes (X, 68:1), são ditos como sendo, «de Cristo amigos» (X, 95:4). De facto, o    Preste João, identificado pela maioria dos escritores quinhentistas como o imperador da Abissínia, era um príncipe cristão, ainda que pertencente a um rito não romano, a Igreja copta.
abastado, abastança, abastar
 
   Em VIII, 4:1; X, 120:6 e VII, 62:5; VIII, 76:5 e V, 6:4 e X, 111:2, respectivamente. V. bastar.

abaxar, abaxo

   Em IV, 56:2; VI, 63:8; VIII, 11:7; X, 22:2, 34:8, 41:6, 78:5 e 6 e IX, 13:1; X, 89:4, respectivamente. V. baixo.
Ábila
   Monte (em língua cartaginesa) africano (Ceuta), fronteiro ao monte Calpe (Almina), no estreito de Gibraltar, ou «mar de Hércules». Por isso, chamavam os Antigos aos dois montes «Colunas de Hércules». A primeira referência a Ábila (III, 77:5) ocorre a propósito da invasão do rei Miramolim em Portugal, com treze reis mouros, cercando D. Sancho II em Santarém, como retaliação pelas conquistas de D. Afonso Henriques, sendo derrotado. A segunda (IV, 49:5) reporta-se à conquista de Ceuta, em 1415, por D. João I. A terceira (VIII, 17:4) indica a batalha naval de D. Fuas Roupinho frente aos mouros. A quarta (VIII, 71:4) reforça a anterior, para logo lhe acrescentar a descoberta do Hemisfério Sul, sob orientação do Infante D. Henrique.
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© Instituto Camões, 2001