12 / Junho, véspera de Santo António José Forte Meu Caro Recebi a tua lacónica carta e a interessante missiva de vinte carapaus. Já deves ter recebido aí a resposta, isto é, postais da Felizarda. Como vês, Contraponto, quando promete, cumpre. O postal ― 200 exemplares ― esgotou-se em dois dias, o que prova que a Felizarda tem um grande público de inimigos... Mas outros grandes trabalhos nos esperam. Estou agora a preparar uma outra grande Homenagem aos Saloios. Trata-se de uma folha, escrita dos dois lados (página 2) densa de prosa, com artigos vários sobre os saloios vários: os saloios na imprensa, no teatro, no cinema, na literatura, etc. Os saloios, como sabes, somos nós todos ― vistos de Paris. Mas entre nós ― entre saloios, portanto ― há os saloios 100% e os saloios 99%. Nós, propriamente ditos, somos estes. Assim, achamos do maior interesse, por agora e por espírito de picardia, fazermos uma grande homenagem colectiva aos saloios 100%, os saloios saloios, os saloios de corpo e alma, os saloios felizardos. Tu não podes faltar nesta homenagem. Requere-se, pois que mandes prosa ou (página 3) versos, insultos ou desabafos, em todo o caso o teu depoimento sobre os saloios. O papel, em formato grande, com bonecada do João Rodrigues e doutros, será vendido (1000 exemplares) a 2$50. A Fundação "Obrigado, Calouste!" mais uma vez funcionará para provar ao Gulbenkian que 9 milhões de saloios não temem a concorrência do petróleo. Manda prosa. Saloia. Ou anti-saloia. Um abraço saloio do saloio Luiz Pacheco» |
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Instituto Camões, 2002