Paulo Nozolino

Paulo Nozolino Lisboa ¶ 1955

  Paulo Nozolino
  Créditos fotográficos / Photographic credits:
Abílio Leitão

Tendo iniciado estudos de pintura na SNBA, cedo se apercebeu que seria a fotografia o seu medium privilegiado, levando-o a estudar, entre 1975 e 1978, no London College of Printing. Considerado um dos mais importantes fotógrafos da actualidade, os seus 30 anos de carreira foram marcados pela atribuição de numerosos prémios e bolsas internacionais: Prémio Kodak (Portugal, 1988), Prix Fondation Leica (França, 1989), Bolsa Villa Médicis Hors-les-Murs (Paris, 1994) e Grand Prix de la Ville de Vevey (Suíça, 1995). A sua obra espelha o nomadismo que caracteriza a sua vida. Viajou pela Europa, Estados Unidos, Norte de África, Médio Oriente, Índia, América do Sul, mesmo depois de se ter fixado em Paris, em 1989 ou, mais recentemente, no Porto. A este perfil que se desenha na tradição da "estrada", da "viagem" e da "deriva", compondo uma auto-biografia nómada, associa-se o rigor técnico e estético que tornaram famosos os milagres luminosos arrancados aos negros e cinzentos que dominam as suas fotos. Carregadas de um imenso dramatismo poético, as fotografias de Paulo Nozolino, sempre a preto e branco, revelam sombras e espaços onde a escuridão tem sempre a última palavra. O grão e a estética das suas imagens de interiores ou espaços urbanos são o reverso da confortável banalidade ou da elegância exótica dos estereótipos geralmente associados à representação das pessoas, lugares ou momentos surpreendidos pelo artista um pouco por todo o mundo. Os sentimentos dos lugares vão-se soltando das suas imagens de um modo que se afigura não premeditado mas ainda assim incontornável. São imagens povoadas por crianças, mulheres, homens, rostos, olhares, mas também evocações directas da morte ou do sexo, que provocam uma sensação de nostalgia e de desconforto, sugerindo fragmentos de possíveis narrativas interrompidas. As suas fotografias, longe de imporem uma narração clara e explícita, são apenas as marcas, os testemunhos, de um momento que o artista congelou através do seu olhar atento, muitas vezes revelador de uma visão trágica, quase sempre crua, que se tem intensificado nos últimos tempos, como o prova a sua exposição retrospectiva Far Cry (Serralves, 2005). É por isso que Paulo Nozolino nos salva do sonambulismo. Usando a luz para aguçar a escuridão, o fotógrafo trabalha para mostrar o mundo e demonstrar o fim de um mundo. As provas que apresenta são decretos de extinção de momentos luminosos.

 

 

Ficha Técnica | Credits