Beja

Beja

Sob o céu eternamente azul e os raios de sol quente,
a beleza serena das planícies do Sul.



Beja ergue-se no topo de uma colina, dominando a vasta planície dourada que se estende aos nossos olhos, até se perder de vista. Fundada provavelmente no tempo de Júlio César, o seu nome ficaria ligado aos desejos de pacificação nesta parte do império. Dos romanos, receberia por isso o nome de «Pax Julia».

Começamos o nosso passeio ao pé do castelo. As ruas, velhas e estreitas, estendem-se daqui até ao convento de São Francisco, hoje transformado em pousada. Vale a pena subir ao cimo da Torre de Menagem, com 40 metros de altura, de onde se desfruta de um esplêndido panorama sobre a cidade.

Construído sobre fundações romanas, o castelo data de finais do século XIII. Por trás, a algumas dezenas de metros, fica a Igreja de Santo Amaro. A história da sua origem motiva-nos para uma pequena visita. No século VI foi uma igreja visigótica. Hoje acolhe o núcleo visigótico do museu regional.

Do castelo, descemos à Praça da República. É uma praça muito atraente, com o seu pelourinho a lembrar os tempos de justiça pública. A arcada manuelina, do lado norte, confere ao local uma nota de elegância. A Igreja da Misericórdia, por seu turno, domina a praça.

É uma igreja que nos surpreende pelo aspeto pouco convencional. De facto, a obra foi iniciada para ser um mercado. Mas o resultado excedeu de tal forma o previsto que o seu aproveitamento para outro fim foi logo considerado. Dado o seu destino inicial, apresenta uma planta quadrangular, com grandes arcos em volta de um espaço aberto.

No Largo da Conceição, deparamos com uma das peças mais representativas do património edificado de Beja. Trata-se do antigo Convento de Nossa Senhora da Conceição, fundado em 1459. Local de visita obrigatória, aí se encontra instalado o Museu Rainha Dona Leonor.

A igreja constitui em si mesma um dos principais núcleos do museu. Do lado direito, a nossa atenção vai para os altares em talha dos séculos XVII e XVIII. Do lado esquerdo, para o revestimento de azulejos azuis e brancos setecentistas. As coleções arqueológicas e de pintura despertam igualmente o nosso interesse.

No entanto, outras razões suscitam a nossa curiosidade ao visitar este convento. De facto, é impossível visitar Beja sem evocar Soror Mariana Alcoforado e as célebres «cartas portuguesas». Religiosa do século XVII, apaixonada pelo conde de Chamilly, soldado da Restauração, terá vivido aqui momentos ardentes de uma dolorosa história de amor.

Crê-se hoje que tenha sido Gabriel de Lavergne quem redigiu em francês as famosas missivas, atribuídas à freira de Beja, as quais têm levado muitos escritores a interessar-se por esta figura. Contudo, aquele facto não é suficiente para diminuir a intensidade romântica da história.

De novo no exterior, saboreamos a cidade sem pressas. Numa saudação aberta, retribuímos a simpatia das gentes de Beja. Pela estrada de Aljustrel, tomamos então o caminho de Pisões, onde as ruínas de uma «villa» romana nos oferecem o quadro ideal para terminar o dia.


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