Crato

Crato

As casas são brancas, com barras pintadas de amarelo forte. No Crato, em pleno Alentejo, respiramos a calma típica do Sul.


No Crato, estamos em terras da antiga Ordem de Malta. Caminhando pelas ruas estreitas e de chão empedrado, a cruz de oito pontas vai-nos surgindo aqui e além, testemunhando a importância das ordens militares na história desta região.

Recuemos no passado. Conquistadas por D. Afonso Henriques, as terras de Ucrate (ou Ocrato) foram doadas por D. Sancho II, em 1232, à Ordem do Hospital (posteriormente Ordem de Malta). No século seguinte, a sede da Ordem foi transferida para o Crato, o que contribuiu de forma decisiva para o desenvolvimento da vila.

O Crato cresceu então à sombra do Priorado, engrandecendo-se e dignificando-se do ponto de vista arquitetónico nos séculos seguintes. Ciosos do seu património, os habitantes apontam-nos hoje com orgulho os vestígios do esplendor que a vila adquiriu em outros tempos.

Descendo a Rua 5 de Outubro, em direção à Praça do Município, encontramos a Capela de Nossa Senhora do Bom Sucesso, que data do século XVIII. Também conhecida como capela da Cadeia, a sua construção resultou da iniciativa particular, para permitir aos reclusos assistir às cerimónias religiosas.

A antiga cadeia situava-se precisamente em frente desta capela, neste edifício do mesmo século. Hoje funciona aqui a Biblioteca Municipal. Mais em baixo, já na Rua do Arco, deparamos com outro palácio setecentista, que acolhe atualmente o modesto (mas interessante) Museu Municipal.

Na Praça do Município, a Varanda do Grão-Prior prende logo a nossa atenção. Data do século XVI e é o que resta do palácio que outrora existiu. Fica mesmo ao lado dos Paços do Concelho, uma construção do século XVII. Em frente, também não nos passa despercebido o Palácio Sá Nogueira, outro edifício da mesma época.

Seguindo pela Rua José da Gama, passamos agora junto à Igreja da Misericórdia e, olhando na direção da pequena rua que aqui desemboca, avistamos a bonita Torre do Relógio, de edificação quinhentista. Continuando o nosso caminho, chegamos à Igreja matriz do Crato, um monumento cuja origem remonta ao século XIII.

Subindo a Rua Dr. Teixeira Guerra e passando junto ao palácio do mesmo (um palácio de raiz manuelina, sujeito a várias ampliações no período barroco), vamos agora visitar o Castelo, onde se celebraram os casamentos régios de D. Manuel com D. Leonor (1518) e de D. João III com D. Catarina (1525). Daqui, desfrutamos de uma paisagem que chega às faldas da Serra de São Mamede.

Estamos no Crato, mas a nossa visita vai terminar na Flor da Rosa, a três quilómetros da vila. Aí podemos ver de perto um magnífico monumento, constituído por três edificações distintas que se impenetraram ao longo do tempo: um paço, uma igreja-fortaleza e um convento.

Infelizmente, a Igreja encontra-se ainda em obras de recuperação. Porém, acolhe-nos a moderna pousada, projetada pelo arquiteto Carrilho da Graça, que ocupa parte das antigas dependências conventuais. O espaço é acolhedor, a gastronomia regional uma tentação... No final deste passeio, será que vamos conseguir resistir?!...

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