Évora

Évora


Para quem goste de ouvir o silêncio e sentir uma imensa liberdade aconselhamos que nos acompanhe nesta visita a Évora.
Esta cidade fica no sul de Portugal, no Alentejo. Nesta região sente-se a força das searas de trigo que se estendem pela planície até à linha do horizonte. De quando em quando avistam-se oliveiras e sobreiros que parecem adormecidos pelo calor do sol . E as aldeias de casas brancas, fazem parte deste cenário quase estático lembrando esta descrição de Manuel da Fonseca, poeta contemporâneo:

Nove casas,
Duas ruas,
Ao meio das raus
Um largo
Ao meio do largo
Um poço de água fria.

Tudo isto tão parado
E o céu tão baixo
Que quando alguém grita para longe
Um nome familiar
Se assustam pombos bravos
E acordam ecos no descampado.

Évora é uma cidade alentejana que nos deixa enfeitiçados com o ambiente mágico que já vem dos rituais da Pré-história. Começamos a nossa visita de madrugada a contemplar o cromeleque da «Portela de Modos» que fica nos arredores de Évora e a pensar sobre a passagem do tempo, a vida e a morte.

Não nos podemos esquecer de que temos o encontro marcado às nove horas da manhã, com o nosso amigo António, na praça principal da cidade que se chama Praça do Geraldo. Após a visita ao cromeleque, estamos preparados para ouvir o nosso amigo falar-nos de alguns aspetos históricos:
«Évora, de fundação pré-romana e a que Plínio-o-Velho chamou Ebora Cerealis...

Começamos a compreender como este espaço, que está tão longe do mar, tem vários monumentos simbólicos das fases mais importantes da História de Portugal. António sugere um percurso pelo tempo da história.

Paramos no templo de Diana, rodeado pela Sé, Paço dos Inquisidores de Évora, Tribunal da Inquisição, Igreja e Convento dos Loios, Biblioteca Pública e Museu.
Consultámos o nosso quadro cronológico da História da Língua Portuguesa até ao século XIII.

Foi então que António nos chamou a atenção para a muralha que rodeia a cidade porque foi uma das maiores defesas do país, desde os romanos até à Idade Média.

E depois? E depois, nos finais do século XV começou o grande período dos Descobrimentos e Évora tem um símbolo (entre outros) bem interessante dessa época das viagens marítimas. António disse que a seguir íamos ver a Janela Manuelina:

Mas como ainda estamos nesta zona do Templo de Diana, vamos aproveitar para conhecer o do Paço dos Inquisidores. Sabemos que foi precisamente durante o período dos Descobrimentos, no século XVI, que a Inquisição se instalou em Portugal. Será terrível recordar as torturas que estes inquisidores exerceram!

Descemos até à praça do Geraldo para ver a «Janela Manuelina» e para visitar a Igreja de Santo Antão que teve uma longa história, pois foi construída entre o século XVI e o século XVIII.

Entramos para observar o altar de talha dourada.

À saída da igreja, António convida-nos a beber um sumo e comer um bolo de requeijão. Esta pausa foi ótima! Já estamos prontos para mais uma caminhada: vamos conhecer a Sé de Évora, um dos monumentos mais importantes desta cidade e que mostra os estilos da Idade Média ao século XVIII. Chegámos.

A visita foi demorada. Continuámos a caminhar pelas ruas de Évora, parando aqui e acolá. São seis horas da tarde e António diz que tem uma surpresa para a noite: vamos ouvir o «cante alentejano», que tem um ritmo arrastado e lento parecido às cantigas tradicionais árabes, interpretado pelo Coro dos Ceifeiros de Cuba.

Evora1.jpg Evora2.jpg Evora3.jpg Evora4.jpg