Ponte de Lima


Ponte de Lima


Terra do verdejante Minho, nascida na região do vale do Lima e debruçada sobre o rio que lhe deu o nome.
Praia, pescaria, feira e muitas histórias da História ... eis o que espera o visitante em Ponte de Lima.


Em pleno Minho, sendo Viana do Castelo a cidade mais próxima, fica a vila que nos espera.

Chegamos à ponte sobre o rio Lima. Segundo a lenda, no ano 135 A.C., os romanos hesitaram em atravessar este rio, tomando-o como o mítico Lethes, o "rio do esquecimento". Da nossa parte, ao atravessá-lo, não nos esquecemos de nada e cresce a nossa curiosidade sobre esta ponte tão antiga.

Já na vila, paramos a observar a vista sobre o rio, com a Igreja de Santo António da Torre Velha ao fundo. A convite do Sr. João, viemos passar cá o dia: dar um passeio, conhecer um pouco da História, observar alguns monumentos, ver a feira e comer algumas delícias.

Marcámos encontro na Praça de Camões, o centro da vila.

Enquanto esperamos pelo nosso cicerone, ficamos a conversar com um habitante local, senhor de bastante idade, que nos oferece um mapa e algumas informações sobre o sítio em que nos encontramos.

Espaço projetado na segunda metade do século XIX, a Praça de Camões, também chamada Largo de Camões, foi objeto de reformulação ao longo dos anos. O último grande arranjo desta praça ocorreu após a revolução de 1926. Foi nessa altura que para aqui foi transferido o chafariz. Construído pelo Mestre João Lopes, remonta ao século XVII e transitou para o largo por deliberação da Câmara, em 1929.

Chega o Sr. João.

Pedimos-lhe que nos conte um pouco das origens da vila.

Diz-nos que, em 1125, D. Teresa concedeu à povoação o primeiro foral, institucionalizou a feira e protegeu os viajantes através da aplicação de algumas medidas. O incentivo ao cultivo das terras fê-la estabelecer que das «terras rotas» (cultivadas) se pagasse um terço e das «não rotas» um quinto.

Depois de várias intervenções reais, tais como as de D. Dinis e de D. Fernando, em 1359 D. Pedro I deu novo foral e um outro impulso à vila. A ponte foi reconstruída, a vila circundada de muralhas com nove portas e outras tantas torres. Estas nove portas mostram-nos, já na altura, como Ponte de Lima era um importante centro de comunicações.

É também longínqua a fama da vila como caminho do Lima, pela frequente passagem de peregrinos a caminho de Santiago de Compostela.

Depois desta explicação, o Sr. João propõe-nos uma rápida visita a alguns monumentos.

Eis-nos, pois, parados frente à Igreja da Santa Casa da Misericórdia, fundada por alvará de D. Manuel, uma das mais antigas igrejas de Portugal.

Datada da primeira metade do século XV, a Igreja Matriz (Igreja paroquial de Santa Maria dos Anjos) sofreu já vários acrescentamentos. Observamos o arco abatido da entrada e pousamos o olhar na talha do altar de Nossa Senhora das Dores.

Na formosa Avenida dos Plátanos, encontramos o Museu dos Terceiros, formado pela Igreja de Santo António dos Frades Franciscanos e pela da Ordem Terceira de S. Francisco, que nos oferece imagens de arte sacra, outrora veneradas pelos antepassados. Ainda demoramos um pouco a admirar uma imagem da sacristia.

Há hoje grande movimento na vila devido ao mercado quinzenal, herdeiro da tradição das Feiras Novas, instituídas por D. Pedro IV. Os séculos foram alterando a feira, mas esta permaneceu sempre como ponto de encontro do povo e espelho da sua alma. Com o passar dos tempos, o antigo espaço da feira foi-se adaptando à nova realidade, já não de carros de bois e de cavalos, mas de veículos motorizados.

Decidimos jantar por aqui: Arroz de sarrabulho, rojões e o fumeiro tradicional, regados com um bom vinho verde, que vamos escolher, farão o nosso manjar.

Pensámos ainda em pernoitar aqui perto, na Casa da Lage, mas abandonámos a ideia.

É já noite quando saímos da vila, prometendo voltar para a festa da «Vaca das Cordas», que se realiza na véspera do feriado do Corpo de Deus.

Levamos no ouvido os versos de António Feijó, que o Sr. João declama na despedida:

Nasci à beira do Rio Lima,
Rio saudoso, todo cristal;
Daí a angústia que me vitima,
Daí deriva todo o meu mal.

É que nas terras que tenho visto,
Por toda a parte por onde andei,
Nunca achei nada mais imprevisto,
Terra mais linda nunca encontrei.

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