João Vieira

João Vieira Vidago ¶ 1934

 

  João Vieira
  Créditos fotográficos / Photographic credits:
Abílio Leitão

Ingressou na ESBAL em 1951, para depois de um período de desilusão com o ensino artístico da capital e sequente isolamento na sua região natal, regressar a Lisboa para desenvolver uma intensa e original actividade criativa. Se a Galeria do Diário de Notícias apresenta em 1959 a primeira exposição individual de João Vieira, a Fundação Gulbenkian atribui-lhe ainda nesse ano uma bolsa de estudo que o levará a Paris para trabalhar com o pintor Arpad Szènes, acabando ainda por se associar a René Bertholo e Lourdes Castro no projecto da revista KWY. Em 1964 lecciona no Maidstone College of Art, em Londres, contactando desse modo com o meio artístico britânico, apenas se fixando em Lisboa no ano de 1967. A obra de João Vieira desenvolveu-se ao longo de mais de cinco décadas fundamentalmente sob o signo do experimentalismo interdisciplinar em torno de duas temáticas: o corpo e a letra. Do corpo, especialmente ligado aos primeiros trabalhos e aos actos performativos então realizados em Portugal como pioneira manifestação, João Vieira chega à letra, registando a partir da forma do corpo as possibilidades gráficas da sua transformação em letra, envolvendo ambos não só numa temática de plasticidade e festividade múltiplas, como em exercícios que convidam o espectador a participar na descoberta do espaço e do tempo, na relação do seu próprio corpo com as célebres letras gigantes, então apresentadas enquanto objectos de espuma maleáveis e moldáveis ao corpo (Expansões, 1971 e Incorpório I, 1972). No início dos anos 90 realiza uma série pictórica que em vez das letras e das experiências alfabéticas apresenta os números como referência maior. Dos últimos trabalhos de João Vieira destaca-se um Alfabeto Latino e Grego (2000) produzido em dezoito elementos de plexiglas colorido e transparente que, depois de recortado e montado, expõe uma atmosfera quase psicadélica, onde a experiência visual das letras coloridas, na sua alusão ainda alfabética, parece sublinhar o sentido de prazer que desde sempre esteve associado à obra de João Vieira.

 

 

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