Lourdes Castro

Lourdes CastroFunchal ¶ 1930

  Lourdes Castro
  Créditos fotográficos / Photographic credits:
DR/ Cortesia Assírio & Alvim

Licenciou-se em Pintura na ESBAL em 1956. No ano seguinte, partiu com René Bertholo, Costa Pinheiro e outros jovens artistas portugueses subsidiados pela Fundação Gulbenkian para a cidade alemã de Munique, fixando-se poucos meses depois em Paris, já em 1958, acompanhada dessa vez apenas por René Bertholo. Juntos fundaram o grupo e a revista KWY (1958-1963). Predominava uma pintura abstracta de raiz informalista, à qual se seguiria um lento mas progressivo regresso à neo-figuração. O percurso da artista baseou-se no abandono dos suportes e disciplinas mais tradicionais, optando por um trabalho interdisciplinar iniciado em "assemblages" de origem neo-dada, contextualizadas pelo "nouveau réalisme" francês, em que a acumulação arbitrária de pequenos objectos em caixas sofre uma monocromatização uniforme de tinta de alumínio. A aura dessa forma conferida ao novo objecto criado tenderá a converter-se num processo de afirmação subtil em torno do perfil possível de objectos e pessoas contornadas apenas pelas suas Sombras, temática de referência essencial a partir dos anos 60 e que se manterá constante, prolongando-se até hoje. Em lençóis, plexiglas ou acrílico fluorescente recortado, Lourdes Castro amplifica a dimensão bidimensional do quadro, conferindo-lhe uma nova espessura ou tridimensionalidade visual. A autora transforma em paradoxo o conflito artístico da época, entre a objectualização e a desmaterialização da arte, dessa forma abandonando a questão antes primordial da representação. Desde o início dos anos 80, Lourdes Castro desenvolveu uma série de desenhos intitulados Sombras à Volta de um Centro que prolongam, agora recrutando "objectos" da natureza, o sentido reflexivo sobre a temporalidade e o destino da vida, numa interpretação da tradição cultural romântica. Em 2000 Lourdes Castro receberia o Grande Prémio EDP Arte, depois de ter participado na Bienal de São Paulo desse ano com uma peça realizada em colaboração com Francisco Tropa: um imenso pano branco pousava sobre uma longa mesa fortemente iluminada de modo a sublinhar os vincos das dobras dessa cobertura.


 


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