Miguel Palma

Miguel Palma Lisboa ¶ 1964

  Miguel Palma
  Créditos fotográficos / Photographic credits:
Abílio Leitão

Vive e trabalha em Sintra e expõe regularmente desde 1988. O seu trabalho, maioritariamente produzido no campo da instalação, inscreve-se numa tendência de re-apropriação da experiência que marcou a arte na década de 90 e que se procura afirmar contra a progressiva alienação dos processos de produção. Em muitas das suas obras encontramos um quase infantil deslumbramento com o "fazer", que se espelha num encantamento pelos materiais e pela manufactura. Decorre também desta ideia a frequente produção de maquetas, sendo que a maqueta ou a miniaturização radica num impulso apropriativo que supõe uma disposição metonímica. Esta é, aliás, a condição "sine qua non" para a própria ideia de modelo, pedra angular da abordagem científica e do método experimental em que o autor baseia a sua produção. Miguel Palma expõe um universo estranhamente desabitado onde a máquina ou o sistema são omnipresentes e auto-suficientes excluindo qualquer participação do humano. Vejam-se alguns exemplos: Engenho (1993), uma viatura artesanal capaz de percorrer grandes distâncias tal como o artista demonstrou na viagem inaugural; Carbono 14 (1994), uma maqueta de um corte arqueológico mostrando os equipamentos da nossa civilização como se tivessem sido soterrados por diversos geo-estratos. Estamos perante uma revisitação do mais moderno dos fantasmas, que ainda não cessou de nos assombrar: a "máquina celibatária". Que, na verdade, não é uma máquina mas sim uma figuração do inumano enquanto "existential closure" ("finalização existencial"). As instalações de Miguel Palma remetem para essa inquietante tensão entre a pungência dos materiais, a densidade das coisas e a automatização do propósito. Uma das suas últimas obras Secretária Ilustrada (2003), uma secretária em cujo tampo foi inserida uma mini-paisagem, é testemunho dessa tensão, que aqui reaparece inscrita entre a burocracia e a vertigem romântica. Em 2005, realizou o Projecto Aríete, uma "road trip" pela Europa e seus principais museus num veículo próprio, alterado pelo artista.

 


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